sexta-feira, 19 de março de 2010

Sobre Corrida... 10km na Meia Maratona de Florianópolis




É neste domingo, dia 21, as 8:30 da manhã a largada da Meia Maratona em Florianópolis, minha primeira prova de 10km...ui, frio na barriga...será que vou conseguir? em quanto tempo vou cumprir a prova? que expectativa...
Tenho me preparado há 2 meses, treinos específicos, personal "Capitão Nascimento", alimentação adequada, sono adequado... mas mesmo assim a preimeira prova de 10km é uma responsabilidade... já não é tão fácil e confortável como os 5km, 7km, 8km... e ainda não é a Meia, de 21km...meu próximo objetivo! Cada etapa do preparo para a corrida é um desafio e muito significativo, muito pessoal e por isso tão intenso...
O meu, além de completar os 10km é correr uma prova pela primeira vez sem ipod...sem música...só concentrada na respiração, nos passos, no ritmo, no corpo, nos batimentos...o que pensando bem também é uma música não? um ritmo sem dúvida, mas totalmente pessoal...vamos ver no que vai dar... Durante esta semana meus treinos foram assim, prestando atenção em tudo, passos, ritmo interno,  movimento, sincronia de movimentos...quase um mantra...depois dos primeiros (tensos 5min) a respiração quase vira música, guiada pelo som dos passos no chão... é um exercicio e tanto...bem introspectivo e transformador...
Então estou  na contagem regressiva para a prova de domingo!!!
Para quem se interessar, meu grande treinador "Paulinho - Cap. Nascimento -Domingos" estará na TV, é dele a Sprint Assessoria Esportiva ... ele é muuuito bom, muito profissional, empolgado, determinado e nossa equipe é ótima! Vale ver:
"Nesta sexta, dia 19, a quarta reportagem da Série Desafio RBS Esporte vai ser veiculada no programa TV COM Esportes. Paulo Domingos também vai participar AO VIVO num bate-papo com os jornalistas Rodrigo Faraco e Renato Semensati. O programa no Canal 36 da Net, começa às 19 horas. CONFIRA!!
No sábado, tem a quinta reportagem da Série Desafio RBS Esporte, onde Fabiano Marques mostra a semana de polimento - aquela que muitos de vocês também tiveram! O programa começa às 9h30, na RBS TV!
No site da Sprint o repórter-corredor Fabiano Marques conta um pouco da experiência de treinar para a Meia Maratona."
Boa sorte para mim então... :P

Quartos de criança...






Ai ai... achei isso tão fofo...quartos lindinhos e divertidos...já imaginei meus pequenos em quartos assim...hoje eles dividem um beliche e adoram...para eles a cama vira cabana, navio pirata,  barco de pesca,  casa do Tarzan...depende do dia, do humor e da interação entre eles... Sem muitas "Reflexões" por hoje...ou talvez a reflexão seja sobre imaginação, brincadeira, diversão... deve ser o final de semana chegando!!!!! Bom final de semana então...

quinta-feira, 18 de março de 2010

Açorda de Bacalhau...delícia!




Ah...essa eu fiz e ficou uma delícia..
Inspirada na revista Casa e Comida deste mês, que traz além de lindas imagens ótimas receitas e algumas idéias para a Páscoa...bem legal!
Ficou muuuuito bom, uma receitinha fácil, boa de dividir com amigos num jantarzinho divertido, leve...
por aqui recebemos meu cunhado-irmão, uma graça, filho da Graça, conversa fluindo fácil, polemiKas - como não poderiam deixar de ser... enfim...companhia agradável, conversa agradável, comidinhas mais que agradáveis...
O prato chama-se Açorda de Bacalhau, uma breve explicação:
"A açorda é um prato de origem caseira, tradicional do Alentejo. Basicamente, a açorda é uma papa de pão duro à qual se juntam os ingredientes que quisermos como: bacalhau ,camarão, peixe, carne de porco, etc. Em tempos passados os bebes depois de deixarem de mamar começavam a comer uma papa feita de pão e leite ou uma açorda ralinha feita com pão e água, 1 dente de alho, uma gema de ovo e um pouquinho de sal e azeite. Quando a açorda fica sem líquido e bastante seca os alentejanos chamam-lhe migas."
Como sempre, dei uma adaptada na receita original, então essa foi a receita que eu fiz:
  • aprox. 1kg de bacalhau dessalgado
  • 100ml de azeite de oliva
  • 2 tomates pecados em cubo sem pele
  • 2 cebolas bem picadinhas
  • 2 dentes de alho amassados
  • sal e pimenta a gosto
  • 2 unidades de pão ciabatta
Cozinhe o bacalhau em agua fervente por 20min, depois tire toda pele e espinhas,
Refogue no azeite o alho, a cebola e o tomate, depois junte o bacalhau desfiando lascas grandes,
Corte o pão Ciabatta em fatias finas e ajeite ao redor de uma travessa, coloque o refogado de bacalhau no centro, regue com bastante azeite de oliva, por cima corte lascas (raladas) de queijo tipo grana e leve ao forno (baixo) por aprox. 20 min.
Fica uma delicia para comer com as mãos mesmo tirando as fatias de ciabatta e cobrindo com mais bacalhau e azeite...hummmm...
O chefe da casa, também contribuiu com uma "saladinha" de bacalhau de entrada:
cebola roxa picadinha, pimentão vermelho, verde e amarelo bem picadinho também, lascas de bacalhau bem desfiadinhas, tempero verde (salsa, cebolinha fininha ), ovos cozidos, azeitonas, bastante azeite de oliva... dá pra colocar batatas cozidas em cubinhos também, mas como comemos com pão italiano, dessa vez a batata ficou de fora! Uma delicia para comer enquanto o "prato quente" fica no forno... cervejinhas, espumantes...delicia não?!




terça-feira, 16 de março de 2010

Sobre Vontades e Mudanças...






Por que não me mudo pra Bahia?

Há dois tipos de férias. O primeiro é quando o cavalo cansado, magro, castrado, vai para uma campina verde, sem ninguém que lhe dê ordens, sem hora pra levantar, sem nada pra fazer, é só vadiar, pastar, descansar, correr, dormir, fazer o que lhe der na telha! Que felicidade! Bom seria que a vida toda fosse assim! Mas o tempo corre rápido. Passadas duas semanas, descansado e gordo, é hora de voltar para onde estava antes, para o cabresto, a cerca, o arreio, a carroça, as esporas e o chicote, para isso que se chama “realidade”. É hora de retomar o trabalho no lugar onde ele o havia deixado. Ah! Todo cavalo precisa de férias para agüentar mais um ano de trabalho duro… Descansar para trabalhar! As empresas sabem disso. Se dão férias para os seus cavalos não é porque os amem em liberdade. É porque precisam deles na sua volta, revigorados e trabalhadores, agradecidos à empresa que lhes dá férias. E há mesmo os cavalos que, ao final das férias, começam a sentir saudades do arreio e da carroça, querem voltar, porque se cansam da liberdade. Todo mundo diz que quer liberdade. É mentira. A liberdade traz muita confusão à cabeça. Melhores são as rotinas que nos livram da maçada de ter que tomar decisões sobre o que fazer com a liberdade. Quem tem rotinas não precisa tomar decisões. A vida já está decidida. O cavaleiro nem precisa puxar a rédea: o cavalo sabe o caminho a seguir.
O segundo tipo é quando as férias produzem uma perturbação não esperada na cabeça do cavalo. Aqueles campos verdes sem cercas começam a mexer lá no fundo da sua alma, justo no lugar onde estava enterrado o cavalo selvagem que ele fora um dia, antes do cabresto, do arreio e da castração. E aí um milagre acontece: o cavalo selvagem morto ressuscita, se apossa do corpo do cavalo doméstico que vira outro, e até reaprende as esquecidas artes de relinchar, de empinar, de saltar cercas, de disparar a galope pela pura alegria de correr, imaginando-se um ser alado, Pégaso, voando pelas pastagens azuis do céu e pulando sobre as nuvens… É tão bom… E, de repente, deitado sob uma árvore, ele se lembra de que está chegando a hora de voltar… Mas ele não quer voltar. Quer ficar. Surgem então, na sua cabeça, perguntas que nunca fizera: “Por que é que eu volto sempre? Será mesmo preciso voltar? Estou condenado ao cabresto, arreio e castração? É isso que é a vida? Por que voltar se não quero? Volto porque é preciso? Mas será preciso mesmo? Minha vida não pode ser diferente?”
Essas idéias malucas só acontecem quando o cavalo está só com os seus pensamentos. Férias em solidão são perigosas. É por isso que muitas empresas fazem colônias de férias para os seus empregados. Para que não fiquem sozinhos. Para que não pensem pensamentos doidos. Juntos, eles pensam os pensamentos que todos pensam. Pensamentos normais. Os de sempre. O mesmo. Sobre o que conversam os cavalos domésticos nas colônias de férias? Eles conversam sobre cabrestos, arreios, carroças, cavaleiros, carroceiros… E assim, os cavalos selvagens continuam enterrados…
Eu quero me mudar para a Bahia. Eu posso me mudar para a Bahia. Mas não vou me mudar para a Bahia. Cavalo doméstico, voltei e vou ficar onde estou, onde sempre estive, pensando e escrevendo que quero me mudar para a Bahia mas não vou me mudar para a Bahia. A Bahia soltou meu cavalo selvagem… Uma Bahia diferente, sem axé, sem atabaques, sem berimbau, sem capoeira, sem acarajé, sem som eletrônico, sem “o que é que a baiana tem?”, sem vatapá… Uma Bahia anterior à Bahia, uma Bahia muito antiga que está se perdendo na espuma do mar, uma Bahia que me leva ao início do mundo. Foi essa Bahia que viu Sophia de Mello Breyner Andresen, maravilhosa poetisa portuguesa, Bahia virgem, Bahia dos descobridores: Um oceano de músculos verdes, um ídolo de muitos braços como um polvo, caos incorruptível que irrompe e um tumulto ordenado, bailarino retorcido em redor dos navios esticados. O mar tornou-se de repente muito novo e muito antigo para mostrar as praias e um povo de homens recém-criados ainda cor de barro, ainda nus ainda deslumbrados…
Não, não se trata de praia. Praia é Guarujá, Ipanema, Porto Seguro, Cabo Frio, Camboriú, formigação humana, agito. Nessas praias o barulho não permite que se ouça nem a música do mar e nem a música do vento que balança as folhas dos coqueiros. Uma amiga, voltando de férias em Porto Seguro, disse-me que o barulho das batucadas era tal que ela teve de viajar quarenta quilômetros para ouvir o mar. Faz muitos anos viajei setecentos quilômetros até Cabo Frio. Quando cheguei à praia, na ilusão do silêncio, fui agredido pelo som infernal que saía de uma barraca. Imagino que chegará um tempo em que todas as praias terão sido estupradas pela insensibilidade humana.
Foi na praia de Mangue Seco, aquela da Tieta do agreste, a mais linda que já vi, areias brancas alisadas pelo mar imenso, mar sem fim, azul, verde e branco. Meu filho Sérgio tinha três anos quando viu o mar pela primeira vez. Em silêncio ficou a contemplar o mar, as ondas se quebrando sem cessar. E me perguntou: O que é que o mar faz quando a gente vai dormir? Era-lhe incompreensível a eternidade do mar. Também me espanto e me pergunto, sem resposta: Há quanto tempo o mar se quebra alisando a areia? O mar, a praia, as conchas, o céu, os peixes invisíveis nas profundezas, as gaivotas em vôo me falam da eternidade. Senti-me retornado ao início do mundo: Foi, desde sempre, o mar… Até as marcas dos pés, coisas do tempo, haviam sido apagadas pelo vento e pelas ondas. Solidão, solidão robusta, solidão para todos os lados, uma ausência humana que se opõe ao mesquinho formigar do mundo… (Cecília Meireles). Senti o que sentia Murilo Mendes: O minúsculo animal que sou acha-se inserido no corpo do enorme Animal que é o universo. Universo, Animal enorme que me faz viver… Que mais bela experiência mística posso desejar? Eu e o universo em silenciosa harmonia… Que milagre ou aparição de Virgem pode se comparar a esse sentimento? Eu, infinitamente pequeno, grão de areia e, ao mesmo tempo, infinitamente grande, bebendo o universo com meus olhos…
Quero me mudar para a Bahia. Mas sei que não vou me mudar para a Bahia. E não importa que seja a Bahia. As montanhas de Minas com suas matas e cachoeiras, o mar em cima, porque o mar de Minas não é o mar. O mar de Minas é o céu, prô mundo olhar pra cima e navegar sem nunca ter um porto onde chegar… – também as montanhas de Minas são parte do enorme Animal que é o universo… Quem sabe Passárgada? Ou Maracangalha…
Todo mundo tem nostalgia por um outro lugar. Todo mundo gostaria de se mudar para um outro lugar mágico. Mas são poucos os que têm coragem de tentar. Talvez por saberem que a Bahia, como Passárgada, não existe. Ela é um sonho que encanta, que acorda o cavalo selvagem desembestado pelas planícies do infinito. Mas a duração é curta porque a Bahia só existe no efêmero tempo das férias, dentro de uma bolha encantada de eternidade. Quando se volta lá, à procura, descobre-se que a bolha estourou e a Bahia mudou… Para onde terá ido? O triste é que o sonho acaba mas o cavalo selvagem que o sonho acordou continua vivo. Quer galopar, relinchar, saltar… Mas não tem jeito. No mundo real os cavalos andam devagar, em círculos, sempre o mesmo caminho, fazendo girar a mó. E enquanto andam, sonham que querem se mudar para a Bahia…
Sobra a memória: as lavadeiras alegremente lavando roupas dentro de riachos de água límpida; sobra o brilho do sol da tarde refletido na água espraiada na areia; sobram os divertidos caranguejos assustados correndo de lado com seus olhos-periscópios esticados…; sobra a imensidão do mar; sobra a imensidão das praias; sobram o azul; o branco; o verde; sobra o silêncio das vozes dos homens; sobra o céu estrelado; sobram os coqueirais, a água de coco…; sobra a sensação de se estar em paz com a vida. Disse a Adélia: Aquilo que a memória amou fica eterno. Talvez eu não precise me mudar para a Bahia porque ela sobrou dentro de mim…


É ou não é uma cooooisa esse Rubem Alves??
Esse texto também me lembra aquela música do U2 - Who's Gonna Ride Your Wild Horses ...
Cavalos Selvagens... Quem vai montar seus cavalos selvagens?
Cavalos selvagens correm soltos, em bando, parece uma dança, parecem voar sob o chão...tão livres...tão instintivo...tão primitivo...
mas ai voltamos a nossa realidade "domesticada"...não necessariamente ruim, muitas vezes necessária...
O que vale é viver o sonho, ir e voltar, ter um lugar de sonho e sossego, poder respirar a calmaria em meio a tempestade...encontrar este lugar (interno ou externo) não é simples mas muito importante...é um lugar onde os olhos brilham mais, onde a mente se acalma, onde o coração fica tranquilo, onde corpo e alma respiram paz...e é um lugar que precisa e merece ser cultivado e visitado com frequência, para o bem estar, para o bem viver...

segunda-feira, 15 de março de 2010

Sobre Diferenças...






As Diferenças:

Conta-se que vários bichos decidiram fundar uma escola.
Reuniram-se e começaram  a escolher as disciplinas.
O Pássaro insistiu para que houvesse aulas de vôo.
O Peixe para que o nado fizesse parte do curriculo também.
O Esquilo achou que a subida perpendicular em árvores era fundamental.
E o Coelho queria de qualquer jeito que  corrida fosse incluida.
E assim foi feito. Incluiram tudo, mas...cometeram um grande erro.
Insistiram para que todos os bichos praticassem todos os cursos oferecidos.
O Coelho foi magnífico na corrida, ninguem corria como ele.
Mas queriam ensiná-lo a voar.
Colocaram-no numa arvore e disseram:
"Voa Coelho!" Ele saltou lá de cima e "pluft"...
Coitadinho, quebrou as patas...
O Coelho não aprendeu a voar e acabou sem poder correr também...
O Pássaro voava como nenhum outro, mas o obrigaram a cavar buracos como uma Topeira,
quebrou o bico e machucou as asas, e depois não conseguia voar tão bem, e nem cavar buracos.
Sabe de uma coisa?
Todos nós somos diferentes uns dos outros e cada um tem as próprias qualidades...
Não podemos exigir ou forçar que as pessoas pensem ou sejam parecidas conosco, com as nossas qualidades ou com o que acreditamos que seja o certo...
Agindo assim, só causamos sofrimento...não conseguindo enxergar as qualidades dos outros e respeita-las podemos perder o que há de melhor em uma relação: o aprendizado através das diferenças! Com as diferenças aprendemos a respeitar, aceitar, aprendemos sobre o novo, aprendemos sobre amizade e amor!

domingo, 14 de março de 2010

Sobre Paciência e Persistência...

 
O Bambu Chinês...
Depois de plantada a semente deste incrível arbusto, não se vê nada por aproximadamente 5 anos, exceto um lento desabrochar de um diminuto broto a partir do bulbo.
Durante 5 anos, todo o crescimento é subterrâneo, invisível a olho nu, mas... uma maciça e fibrosa estrutura de raiz que se estende vertical e horizontalmente pela terra está sendo construída. Então, no final do 5º ano, o bambu chinês cresce até atingir a altura de 25 metros.
Um escritor de nome Covey escreveu:
"Muitas coisas na vida pessoal e profissional são iguais ao bambu chinês. Você trabalha, investe tempo, esforço, faz tudo o que pode para nutrir seu crescimento, e às vezes não vê nada por semanas, meses ou anos. Mas se tiver paciência para continuar trabalhando, persistindo e nutrindo, o seu 5.º ano chegará, e com ele virão um crescimento e mudanças que você jamais esperava..."
O bambu chinês nos ensina que não devemos facilmente desistir de nossos projetos e de nossos sonhos... Em nosso trabalho especialmente, que é um projeto fabuloso que envolve mudanças de comportamento,de pensamento, de cultura e de sensibilização,devemos sempre lembrar do bambu
chinês para não desistirmos facilmente diante das dificuldades que surgirão.
Procure cultivar sempre dois bons hábitos em sua vida: a Persistência e a
Paciência, pois você merece alcançar todos os seus sonhos..!!!

Conheci esse texto atraves do meu irmão... Aliás, estou sempre aprendendo com ele...somos tão parecidos e tão diferentes...qquer hora escrevo aqui algo sobre fratrias, irmandades, vínculos familiares... universo que me encanta...
Bom... lembrei dele, do trabalho dele, e de trabalhos que levam uma vida...
No caso dele, jogar e treinar tenis, criar e gerenciar atletas...
No meu, criar filhos, gerenciar uma familia...
Criar filhos por exemplo... tarefa nada fácil...anos de dedicação, expectativas e poucas certezas...
A verdade é que a certeza precisa ser interna, é preciso acreditar que o melhor está sendo feito, que cada dia é importante, que cada dúvida merece uma resposta cuidadosa, cada descoberta tem a sua importância, cada discussão seu objetivo, cada queda seu aprendizado... assim como a raiz do bambú, quase invisível aos olhos nos primeiros anos...mas a certeza de que a base está sendo nutrida, bem  formada,cuidadosamente...carinhosamente...conscientemente!




sexta-feira, 12 de março de 2010

Sobre relacionamentos e saber escutar...










Ontem assisti o filme "Sex in the City"... um filme divertido e terapêutico... fala de relações, relacionamentos, mulheres e suas fases, suas paixões, seus amores, suas angústias... e também sobre conversas e comunicação...
Como as pessoas perdem tempo não se escutando, não se ouvindo...e consequentemente não escutando, não ouvindo o outro...ai, não percebem que o encontro não acontece...porque nenhum dos dois está ali...estão perdidos em sues próprios pensamentos, em suas próprias convicções, em suas verdades e vontades e esquecem que uma relação, seja ela qual for, só existe...se existir o encontro...e para que este encontro aconteça é preciso estar presente...é preciso saber escutar, saber se escutar...
Existe uma sutil diferença entre o ato de ouvir e escutar... ouvir é mais simples e mais fácil, não requer muita atenção...ouvimos e pronto, as palavras foram ditas, estão ali! Escutar requer mais treino, mais sensibilidade, disponibilidade, aceitação...exige um autoconhecimento e uma vontade de conhecer o outro...conhecer o real significado do que foi dito para cada um...
Ouvir pertence ao campo dos sentidos e Escutar exige sentimento...
"A Escuta é muitas vezes silenciosa, escuta–se o não verbal, a entrelinha, o gesto, a atuação...
Ouvir é um ato passivo, que se faz naturalmente. Escutar é ouvir ativamente, prestando atenção no que o outro diz..." (Ana Clara Cenamo)
Mais uma vez, lembrei do querido Rubem Alves... que, para mim, escreve tão bem sobre os sentimentos...sobre o ser humano e suas "paixões"....
Então...ai está mais uma pérola dele:

 Escutatória, por Rubem Alves.

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular.
Escutar é complicado e sutil. Diz o Alberto Caeiro que “não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma”. Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Aí a gente que não é cego abre os olhos. Diante de nós, fora da cabeça, nos campos e matas, estão as árvores e as flores. Ver é colocar dentro da cabeça aquilo que existe fora. O cego não vê porque as janelas dele estão fechadas. O que está fora não consegue entrar. A gente não é cego. As árvores e as flores entram. Mas – coitadinhas delas – entram e caem num mar de idéias. São misturadas nas palavras da filosofia que mora em nós. Perdem a sua simplicidade de existir. Ficam outras coisas. Então, o que vemos não são as árvores e as flores. Para se ver e preciso que a cabeça esteja vazia.
Faz muito tempo, nunca me esqueci. Eu ia de ônibus. Atrás, duas mulheres conversavam. Uma delas contava para a amiga os seus sofrimentos. (Contou-me uma amiga, nordestina, que o jogo que as mulheres do Nordeste gostam de fazer quando conversam umas com as outras é comparar sofrimentos. Quanto maior o sofrimento, mais bonitas são a mulher e a sua vida. Conversar é a arte de produzir-se literariamente como mulher de sofrimentos. Acho que foi lá que a ópera foi inventada. A alma é uma literatura. É nisso que se baseia a psicanálise…) Voltando ao ônibus. Falavam de sofrimentos. Uma delas contava do marido hospitalizado, dos médicos, dos exames complicados, das injeções na veia – a enfermeira nunca acertava -, dos vômitos e das urinas. Era um relato comovente de dor. Até que o relato chegou ao fim, esperando, evidentemente, o aplauso, a admiração, uma palavra de acolhimento na alma da outra que, supostamente, ouvia. Mas o que a sofredora ouviu foi o seguinte: “Mas isso não é nada…” A segunda iniciou, então, uma história de sofrimentos incomparavelmente mais terríveis e dignos de uma ópera que os sofrimentos da primeira.
Parafraseio o Alberto Caeiro: “Não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma.” Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. No fundo somos todos iguais às duas mulheres do ônibus. Certo estava Lichtenberg – citado por Murilo Mendes: “Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas.” Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos…
Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos, estimulado pela revolução de 64. Pastor protestante (não “evangélico”), foi trabalhar num programa educacional da Igreja Presbiteriana USA, voltado para minorias. Contou-me de sua experiência com os índios. As reuniões são estranhas. Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. (Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, como se estivessem orando. Não rezando. Reza é falatório para não ouvir. Orando. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as idéias estranhas. Também para se tocar piano é preciso não ter filosofia nenhuma). Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito. Pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que julgava essenciais. Sendo dele, os pensamentos não são meus. São-me estranhos. Comida que é preciso digerir. Digerir leva tempo. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se falo logo a seguir são duas as possibilidades. Primeira: “Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava eu pensava nas coisas que eu iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado.” Segunda: “Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou.” Em ambos os casos estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: “Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou.” E assim vai a reunião.
Há grupos religiosos cuja liturgia consiste de silêncio. Faz alguns anos passei uma semana num mosteiro na Suíça, Grand Champs. Eu e algumas outras pessoas ali estávamos para, juntos, escrever um livro. Era uma antiga fazenda. Velhas construções, não me esqueço da água no chafariz onde as pombas vinham beber. Havia uma disciplina de silêncio, não total, mas de uma fala mínima. O que me deu enorme prazer às refeições. Não tinha a obrigação de manter uma conversa com meus vizinhos de mesa. Podia comer pensando na comida. Também para comer é preciso não ter filosofia. Não ter obrigação de falar é uma felicidade. Mas logo fui informado de que parte da disciplina do mosteiro era participar da liturgia três vezes por dia: às 7 da manhã, ao meio-dia e às 6 da tarde. Estremeci de medo. Mas obedeci. O lugar sagrado era um velho celeiro, todo de madeira, teto muito alto. Escuro. Haviam aberto buracos na madeira, ali colocando vidros de várias cores. Era uma atmosfera de luz mortiça, iluminado por algumas velas sobre o altar, uma mesa simples com um ícone oriental de Cristo. Uns poucos bancos arranjados em “U” definiam um amplo espaço vazio, no centro, onde quem quisesse podia se assentar numa almofada, sobre um tapete. Cheguei alguns minutos antes da hora marcada. Era um grande silêncio. Muito frio, nuvens escuras cobriam o céu e corriam, levadas por um vento impetuoso que descia dos Alpes. A força do vento era tanta que o velho celeiro torcia e rangia, como se fosse um navio de madeira num mar agitado. O vento batia nas macieiras nuas do pomar e o barulho era como o de ondas que se quebram. Estranhei. Os suíços são sempre pontuais. A liturgia não começava. E ninguém tomava providências. Todos continuavam do mesmo jeito, sem nada fazer. Ninguém que se levantasse para dizer: “Meus irmãos, vamos cantar o hino…” Cinco minutos, dez, quinze. Só depois de vinte minutos é que eu, estúpido, percebi que tudo já se iniciara vinte minutos antes. As pessoas estavam lá para se alimentar de silêncio. E eu comecei a me alimentar de silêncio também. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir. Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras. E música, melodia que não havia e que quando ouvida nos faz chorar. A música acontece no silêncio. É preciso que todos os ruídos cessem. No silêncio, abrem-se as portas de um mundo encantado que mora em nós – como no poema de Mallarmé, A catedral submersa, que Debussy musicou. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar – quem faz mergulho sabe – a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Me veio agora a idéia de que, talvez, essa seja a essência da experiência religiosa – quando ficamos mudos, sem fala. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar. Para mim Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também. Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto…
 (O amor que acende a lua, pág. 65.)


LinkWithin

Related Posts with Thumbnails