Refletir, meditar, observar, viver... divido aqui meus momentos reflexivos...
quinta-feira, 22 de março de 2012
Desenvolvimento infantil 0 a 6 anos!
Tenho uma super amiga que trabalha em uma escola infantil, e assim surgiu o convite para uma palestra sucinta sobre este tema... Acho bastante amplo falar de desenvolvimento infantil, pois a psicologia tem suas várias vertentes teóricas e cada fase tem suas características... Eu amo a infância e suas particularidades... Criança é um encanto, um tesouro, emoções, sentimentos em formação...
Uma grande responsa para os pais, vamos combinar?!!
Então pensei em facilitar e escrever alguns tópicos sobre o desenvolvimento da criança para que a compreensão fique fácil, mas é importante lembrar que é muuuuuuuito mais amplo do que vou abordar aqui ok? Então se algum pai ou mãe identificar algum comportamento inadequado em seu filho ou ficar em dúvida quanto a isso, o melhor a fazer é entrar em contato com a escola em primeiro lugar, conversar com a professora, a coordenadora e depois disso, havendo necessidade, e de preferência em conjunto buscar auxílio de um profissional da psicologia que se dedique a entender o mundo infantil e o meio familiar.
Então vou dividir por fases... vamos lá:
Dentro do útero da mãe o bebê já vem vivenciando diferentes experiências que o acompanharão durante seu desenvolvimento. Sensações, descobertas marcantes, tudo é compartilhado. O feto de 2 meses já percebe o humor da mãe devido aos hormônios que chegam pelo cordão umbilical. Depois do quarto mês, o feto já reage aos sons e ao toque e começa a criar o vínculo afetivo com a mãe. Células nervosas já estão formadas e transmitem impulsos nervosos produzidos pelo tato e audição. Nos últimos 3 meses de gestação o bebê já percebe muito do que ocorre ao seu redor, sensações, toques, som, etc.
O nascimento é a primeira experiência de separação entre mãe e bebê, por isso é importante que seja vivenciado da maneira mais tranquila possível, onde mãe e bebê precisam ser respeitados em suas condições físicas e emocionais.
Atenção aos ritmos do bebê, para que o meio não lhe pareça agressivo.
0 a 2 anos se dá segundo Piaget, período sensório motor (prático). O que é isso? É onde a criança aprende que suas ações estão relacionadas as modificações do ambiente. (manipulação pela ação).
Vou dividir um pouco por meses para explorar melhor o tema:
0 a 3 meses:
Fome e sede são necessidades vitais e por isso precisam ser atendidas.
Amamentação é o ponto central da maternagem, é o que vai ajudar na organização afetiva da criança.
A relação mãe bebê torna-se cada vez mais fundamental e inestimável (mais importante a qualidade do que a quantidade).
A mãe precisa estar realmente disponível ao seu bebê, isso é o que vai passar para a criança que está se desenvolvendo noções sobre o alimento e alimentar-se, abrigo e segurança, amor e confiança.
Nesta fase a criança é um ser indefeso com tendência a um desenvolvimento saudável e cabe a mãe "sustentar" este desenvolvimento, ou seja suprir as necessidades físicas e emocionais deste bebê. Para que isto ocorra da maneira adequada é importante que a mãe identifique-se com a necessidade do filho, reconhecendo o que ele precisa. Desde a forma como a mãe acolhe e segura seu bebê, até a proteção e atendimento as suas necessidades fisiológicas e emocionais.
Esse período que antecede o primeiro ano de vida da criança fala sobre o quanto esta se sente segura e protegida para que possa se desenvolver de maneira livre segura e saudável.
A partir de 1 ano
O bebê passa a ter consciência de si, dos seus sentimentos e dos outros. Segundo Piaget, é onde "nasce” a inteligência já que o bebê passa a perceber tudo e interage com o meio. Objetos, pessoas, situações geram comportamentos e desta forma o bebê vai buscar satisfazer suas curiosidades e vontades manipulando o meio.
É onde se inicia a fase oral: prazer e é identificado pela boca!
2 anos:
Inicio da fase anal, aparecem as tentativas de Controle e Dominação. O prazer é sentido no estômago, intestino, mucosa ano-reto-sigmoideana, controle em segurar e expulsar. As fezes são parte da criança, que ela busca controlar, assim controlando o ambiente e a reação das pessoas.
Fase ideal para deixar as fraldas!!!
Inicio da busca pela autonomia, que deve ser estimulada! Com o andar seguro e comunicação mais clara ela está pronta para novas descobertas e desafios!
EGOCENTRISMO presente, a criança sente-se o centro das atenções do seu mundo, superpoderosa!
Também nesta fase inicia-se a compreensão dos limites, e neste sentido quanto mais clareza melhor, porém de uma forma breve. É bastante comum que birras e raiva apareçam também!!!
Famosa, Adolescência da Infância, ou Terríveis 2 anos, justamente por este conflito interno de Autonomia X Limites! Oferecer poucas opções, limites claros e traduzir os sentimentos da criança podem ajudar muito! Paciência e acolhimento também!
dos 2 aos 3 anos:
A criança está cada vez mais preparada para socialização, é curiosa, o mundo ao seu redor à encanta e ela continua muito observadora. Sua linguagem evolui rapidamente e seu pensamento "fantástico" a faz acreditar em contos de fadas, super-heróis, lendas e "viajar" junto com personagens imaginários.
Seu domínio motor permite que faça algumas atividades sozinha, como ir ao banheiro, escovar os dentes, tomar banho, comer, etc. Sempre em busca de novas conquistas a criança deve ter estímulos motores em suas brincadeiras e atividades imaginativas podem ser interessantes.
Apresenta dificuldade em situar-se no tempo (fica angustiada quando perde a referência interna: horário dos pais chegarem, horários que costuma se alimentar...)
Próximo dos 3 anos a criança começa a estar pronta para interagir com outras crianças de forma lúdica e saudável. Antes disso as explorações do próprio corpo e do mundo ao seu redor são mais interessantes.
Fato interessante: nesta idade, outras crianças são vistas como "objetos para brincar", e passam a ser percebidas somente quando tomam o brinquedo da protagonista. Embora brinquem juntas, inicialmente cada criança brinca sozinha.
dos 3 aos 4 anos:
Através das brincadeiras começam as diferenciações Masculino X Feminino. Descoberta dos órgãos genitais ( prazer na zona genital) e curiosidades são comuns nesta fase (é o momento onde a criança passa a observar mais o corpo do adulto, as diferenças, surgem perguntas a respeito disto). Exploração e manipulação causam prazer e devem ser respeitadas.
É a partir dessa idade que começam a surgir os primeiros amigos e colegas verdadeiros. Geralmente possuem a mesma idade, sexo, interesses, moram perto, são filhos de pais amigos ou estão na mesma classe pré-escolar. Quando juntas, as crianças estão felizes e não se separam; quando distantes, sentem falta da companhia da outra. Também é interessante perceber como as crianças mudam rapidamente de estado de humor. Uma hora "estão de mal" com o amiguinho, no minuto seguinte brincam juntos novamente. Um adulto responsável por perto observando, sem interferência, auxilia para que estas tentem lidar sozinhas com a questão. Se não derem conta, poderão pedir ajuda.
dos 4 aos 5 anos:
Início do chamado Complexo de Édipo: sentimentos de rivalidade e desejo em relação aos pais, busca por identificação com o genitor do mesmo sexto e desistência e afastamento do amor do genitor do sexo oposto, são fatos marcantes e experiências importantes que só terão resolução na adolescência no exercício de escolha do (a) parceiro (a).
Em relação ao desenvolvimento psicológico, pode-se dizer que a IMAGINAÇÃO flui continuamente, surgem muitas dúvidas e as perguntas, "como?" e "porque?" são frequentes. Tudo interessa, tudo é questionado. A criança continua muito observadora, mas mostra-se muito inquieta, normalmente é uma fase de "agitação". Entende mas não interioriza as regras e por isso tem dificuldade em aceitá-las. Os pais precisam ter paciência para repetir "regras", "comandos" e "limites" muitas vezes.
Egocentrismo continua, tem necessidade de mostrar as conquistas e procura chamar atenção para si.
Críticas não são bem vindas, normalmente a criança reage mal a estas. Bastante comum nesta fase surgirem diagnósticos de hiperatividade, déficit de atenção, dificuldade de concentração, uma vez que a energia da criança está muito voltada a expansividade motora, interna e externa. INQUIETAÇÃO.
A criança ainda não tem a capacidade de organizar-se internamente antes de se expressar, age e fala espontaneamente (sem pensar).
Fazem muitas perguntas que parecem não ter sentido e muitas vezes são evasivas em suas respostas, parecendo cansativa e desinteressada em relação ao outro.
MEDO é uma queixa frequente, uma vez que está buscando elaborar conexões de seu mundo interno e externo.
Na escola é comum perder o foco na atividade proposta uma vez que achar algo mais interessante.
Elabora o conceito de 1, 2 e muitos. Entende uma frase, um comando, uma proposta mas não tem capacidade de analisar as palavras (capta a ideia, e reproduz conforme entendeu).
Jogos ao ar livre, corridas, ritmo, música, movimento são preferências desta fase.
Habilidade para trabalhos manuais parece desinteressante e tem ímpeto de destruir ou derrubar coisas que construiu. Desenhar e pintar sem muitos limites pode ser divertido, com limites já pode soar cansativo.
Normalmente demonstra interesse por jogos mais complexos, mas não gosta de perder.
Muito importante o "modelo”dos pais, pois é uma fase de muita observação e pouca compreensão e interesse no diálogo.
Dica: Ficar na altura da criança quando fala com ela, motivar seu interesse e falar claramente o que espera dela é fundamental! Experimente perguntar logo após a fala se ela entendeu e peça para que repita do jeito entendido, isso costuma ajudar muito na comunicação.
Motive a criança, ajude-a a observar o mundo ao seu redor, a natureza, o clima, as mudanças de estação, os dias da semana, as fases da lua, tudo isso somará em seu conhecimento.
Para os pais: Paciência, bom humor, dar o exemplo (mais que palavras) e ajudar a criança a entender seus sentimentos traduzindo o que for percebido!
dos 5 aos 6 anos:
Começa a mostrar interesse e entendimento pela rotina familiar. Seus pensamentos já permitem que ela entenda e procure pensar antes de falar. Gosta de assumir responsabilidades e adota uma postura mais séria, responsável e independente.
Muito observadora, procura "modelos" e imita com frequência.
Gosta de fazer as coisas do seu jeito, mas interessa-se em agradar o adulto e fazer as coisas de acordo com o esperado.
A fase de fantasia e histórias fantásticas continua, porém começa a entender o que é real e o que é imaginário.
Contar os sonhos pode ser comum e mostra-se interessada por eles, a fala durante o sono também é comum.
Entende melhor o conceito de obediência, mas nem sempre obedece.
Realista, Imediatista. Procura imitar o comportamento dos adultos, para sua socialização uma imitação/identificação adequada ajuda neste processo.
No que diz respeito a escola, já mantém concentração mais estável durante as aulas, usando sua concentração e imaginação para pintar, desenhar, criar... Gosta de mostrar aos adultos seus feitos, e estes devem ser devidamente elogiados.
Consegue desenvolver mais atividades sem tanta necessidade de auxílio.
Normalmente não se mostra comunicativa sobre os detalhes de sua vida escolar.
Realiza tranquilamente atividades simples desde que bem explicadas. Importante oferecer os materiais necessários e deixar que trabalhe sozinha, treinando assim sua autonomia e independência.
Leitura, escrita, números e jogos fazem parte de seu foco de interesse.
Inicio de uma cooperação coletiva.
Este é o momento de incluir a criança no que diz respeito às suas responsabilidades, pequenas ajudas em casa podem ser um bom início para a compreensão da colaboração e da vida em família.
Estimular sempre o bom humor e a conversa sobre qualquer assunto sendo sincero e explicativo nas respostas. Bom momento para iniciação musical pois normalmente demonstram interesse por ritmos e música.
Neste momento a figura materna de aprovação, acolhimento e carinho é fundamental, o centro de seu universo. A imagem da mãe ajudará muito em sua formação e educação.
Fique atento as características individuais da criança para que os estímulos oferecidos sejam os mais adequados possíveis para o desenvolvimento de suas aptidões, habilidades, potencialidades.
Estimule atividades esportivas de interesse da criança.
Ensine a concentração, estimulando que esta mantenha-se atenta a determinada atividade por um certo período de tempo, sem distrações. Ler histórias para criança é um excelente exercício tanto cognitivo como emocional.
Apoie, oriente, respeite, elogie, participe... a criança que se sente segura e tem modelos sólidos saberá enfrentar dificuldades com mais tranquilidade futuramente.
dos 6 aos 7 anos:
Idade escolar! Um novo mundo ao alcance da criança, o MUNDO DAS LETRAS, com a capacidade da leitura tudo passa a ter um novo sentido.
Início da fase do Pensamento Operacional Concreto (segundo Piaget), onde classificar, contar, manusear, seriar, fazer sequências, jogos de adivinhação, trabalhar hipóteses, parlendas e piadas são muito importantes e despertam a curiosidade e o interesse da criança em atividades.
A motricidade já deve estar firme em todos os sentidos e estando segura a criança diverte-se em jogos, brincadeiras, desenhos, tintas, texturas, recortes... Dança e atividades esportivas do interesse da criança facilitam o desenvolvimento psicomotor.
Jogos de memória despertam interesse, assim como letras e palavras, a integração e coordenação visio-motora são atividades complexas e necessárias.
Entende regras mas tenta desafiá-las, muito notório no campo de jogos e brincadeiras, demonstra dificuldade em perder porém aceita a culpa com mais facilidade e desejando aprovação e aceitação sabe desculpar-se quando entende a necessidade.
O interesse pela sexualidade adormece e a criança se mostra pronta para aprender de uma forma mais intelectualizada a socialização.
Nesta fase o diálogo e as explicações devem ser mais consistentes. A criança continua muito criativa, questionadora, compreende noção de tempo e espaço, e busca uma independência física, psicológica e ideológica, construindo suas verdades e buscando confrontá-las. Adapta o pensamento mágico a realidade (começa a questionar figuras como Papai Noel, Coelho da Páscoa, Fada do Dente, etc.)
Os adultos passam a ser menos necessários, aparecem mudanças de comportamento e personalidade devido a novas influências (bom momento para abrir fronteiras familiares).
A competição, atividades em grupo, compreensão de rotina, limites, regras (rígidas e flexíveis) organizam o mundo interno da criança.
Ainda mostra-se Egocêntrica em muitos momentos porém mais flexível. Muitas vezes pode mostrar-se dominadora, obstinada, desafiadora e até agressiva quando contrariada.
Decidir pode ser difícil, gosta de ter muitas coisas, muitos interesses mas ainda não faz sentido "cuidar" das mesmas. Mostra desejo e interesse por brinquedos de outros colegas o que muitas vezes é motivo de brigas.
Começa a fazer sentido seu mundo familiar e seu mundo escolar e busca a adaptação dos mesmos.
Passa a conhecer suas características, personalidade, aproxima-se de iguais ou colegas interessantes, construindo sua autoestima e autoimagem.
Agitação, irritabilidade, são comuns, devem ser entendidas e ter um canal para extravasar como um esporte ou atividade lúdica.
Tem interesse por histórias exageradas.
Deseja ser importante, destaque, querida, chamar a atenção. Neste sentido os pais podem estimular muito o que julgam bom comportamento, pois as crianças passam a ter uma noção mais real de bom e mau e preocupam-se com o julgamento dos pais.
Normalmente dominante ao que julga ser seu e tem pouca tolerância as críticas.
Procura agradar o(a) professor (a), este vínculo é muito importante pelo interesse na escola e suas atividades.
Associar atividades usuais, experiências diárias ao aprendizado na escola favorece o interesse pelo estudo.
domingo, 11 de março de 2012
Calvin e Haroldo... fantásticos!!!
Ando apaixonada pelo Calvin, deve ser pelo fato dos meus meninos estarem exatamente nesta fase... Me encanto, me divirto, me assusto... Tanta sensibilidade, curiosidade, cosntrução de sentimentos, valores, crenças, narrativas... que fase mais linda, tão intuitiva, tão imaginativa, criativa, tanto retorno, tanto diálogo... Enfim...
Para que não está familiarizado com Calvin, ele é um garoto de seis anos de idade, com imaginação fértil, e Hobbes, seu tigre de pelúcia com nome de filósofo inglês que foi rebatizado como Haroldo aqui no Brasil... (criado por Bill Watterson entre 1985 a 1995)
De todas as "historinhas" do Calvin, essa considero uma das mais sensíveis... emocionante as reflexões, a importância da relação com Haroldo, a elaboração de sentimentos...
Não é a "coisica"mas fofa desse mundo?! Olha quanta sensibilidade!!! Para mim é o pequeno príncipe moderno...Haroldo, querido objeto transicional de Clavin, está ali presente ajudando o pequeno garoto a entender questões adultas. Teoricamente o Objeto transicional representa algo que não está definitivamente nem dentro nem fora da criança; tem a função de permitir que o sujeito possa experimentar essas situações, e ir demarcando seus próprios limites mentais em relação ao externo e ao interno...
segunda-feira, 5 de março de 2012
"As provas da psicanálise demonstram que quase toda relação emocional íntima entre duas pessoas que perdura por certo tempo — casamento, amizade, as relações entre pais e filhos — contém um sedimento de sentimentos de aversão e hostilidade, o qual só escapa à percepção em consequência da repressão...
Nas antipatias e aversões indisfarçadas que as pessoas sentem por estranhos com quem têm de tratar, podemos identificar a expressão do amor a si mesmo, do narcisismo. Esse amor a si mesmo trabalha para a preservação do indivíduo e comporta-se como se a ocorrência de qualquer divergência das suas próprias linhas específicas de desenvolvimento envolvesse uma crítica delas e uma exigência da sua alteração." (S.Freud)
Achei bárbaro, ou seja, não é que eu não goste de você... é que simplismente eu me amo mais... ou me preservo mais... entendeu? E eu que me achava crítica e intolerante... que nada, narcisista não fica mais tolerável?!
Pensei sobre tudo isso pois assisti ao filme: Um Método Perigoso (A Dangerous Method), o filme é baseado na peça The Talking Cure, que fala sobre o surgimento da psicanálise e da amizade entre Freud e Jung, além de sua relação com Sabina Spielrein, ex-paciente de Jung que vem a se tornar um nome reconhecido na psicanálise... Também interessantes são os diálogos reflexivos entre Freud e Jung, inicialmente tido como seu herdeiro mas que com o passar do tempo, devido a toda uma divergência sócio-cultural, suas diferenças de postura, interesse e comportamento mostram-se evidentes. Fato que se torna visível também no filme, assim como na literatura é o de que a abordagem freudiana era concreta demais e não se adaptava a alguns dos aspectos da psique com os quais Jung estava lidando.
Diz um ditado conhecido no meio psicanalítico, “Um homem caminha por uma estrada e encontra dois outros homens. O primeiro lhe pergunta de onde ele vem, o segundo, para onde ele vai. Esses dois homens são Freud e Jung.”
Eu particularmente gosto muito dos dois, mesmo não sendo nenhuma delas minha linha de trabalho, acho importantíssimo ler, conhecer, estudar e tentar entender a origem, o nascimento, os precursores do desenvolvimento da psicanálise, berço da psicologia.
Para quem se interessa pelo tema, vale o filme!
Nas antipatias e aversões indisfarçadas que as pessoas sentem por estranhos com quem têm de tratar, podemos identificar a expressão do amor a si mesmo, do narcisismo. Esse amor a si mesmo trabalha para a preservação do indivíduo e comporta-se como se a ocorrência de qualquer divergência das suas próprias linhas específicas de desenvolvimento envolvesse uma crítica delas e uma exigência da sua alteração." (S.Freud)
Achei bárbaro, ou seja, não é que eu não goste de você... é que simplismente eu me amo mais... ou me preservo mais... entendeu? E eu que me achava crítica e intolerante... que nada, narcisista não fica mais tolerável?!
Pensei sobre tudo isso pois assisti ao filme: Um Método Perigoso (A Dangerous Method), o filme é baseado na peça The Talking Cure, que fala sobre o surgimento da psicanálise e da amizade entre Freud e Jung, além de sua relação com Sabina Spielrein, ex-paciente de Jung que vem a se tornar um nome reconhecido na psicanálise... Também interessantes são os diálogos reflexivos entre Freud e Jung, inicialmente tido como seu herdeiro mas que com o passar do tempo, devido a toda uma divergência sócio-cultural, suas diferenças de postura, interesse e comportamento mostram-se evidentes. Fato que se torna visível também no filme, assim como na literatura é o de que a abordagem freudiana era concreta demais e não se adaptava a alguns dos aspectos da psique com os quais Jung estava lidando.
Diz um ditado conhecido no meio psicanalítico, “Um homem caminha por uma estrada e encontra dois outros homens. O primeiro lhe pergunta de onde ele vem, o segundo, para onde ele vai. Esses dois homens são Freud e Jung.”
Eu particularmente gosto muito dos dois, mesmo não sendo nenhuma delas minha linha de trabalho, acho importantíssimo ler, conhecer, estudar e tentar entender a origem, o nascimento, os precursores do desenvolvimento da psicanálise, berço da psicologia.
Para quem se interessa pelo tema, vale o filme!
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Sobre Paradoxos...
Um paradoxo é uma declaração aparentemente verdadeira que leva a uma contradição lógica, ou a uma situação que contradiz a intuição comum. Em termos simples, um paradoxo é "o oposto do que alguém pensa ser a verdade"...
Então aí vai um texto que achei muito bom!!! Vale a reflexão...
O Paradoxo do Nosso Tempo
(George Carlin)
Nós bebemos demais, gastamos sem critérios.
Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores.
Nós amamos raramente, e odiamos freqüentemente.
Aprendemos a sobreviver, mas não a viver.
Adicionamos anos à nossa vida, e não vida aos nossos anos.
Fomos e voltamos à Lua, mas não cruzamos a rua pra encontrar um novo vizinho.
Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio.
Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores.
Limpamos o ar, mas poluímos a alma;
Dominamos o átomo, mas não nosso preconceito;
Escrevemos mais, mas aprendemos menos;
Planejamos mais, mas realizamos menos.
Aprendemos a nos apressar e não, a esperar.
Construímos mais computadores, mas nos comunicamos cada vez menos.
Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta;
Tempo do homem grande de caráter pequeno;
Dos lucros acentuados e relações vazias.
Essa é a era de dois empregos, vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados.
Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis. Dos cérebros ocos e das pílulas "mágicas".
Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na dispensa.
Uma era que leva essa carta a você, e uma era que te permite dividir essa reflexão ou simplesmente clicar em “delete”.
Lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama, pois elas não estarão por aqui para sempre."
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Sobre namoros e relacionamentos...
Tenho escutado muitas queixas em relação a isso dos meus clientes (homens e mulheres) no meu consultório ultimamente : “está muito difícil achar alguém para namorar!!!”
Em um site bem interessante me deparei com um post exatamente sobre isso, e por este assunto estar tão presente para mim neste momento resolvi postar aqui no blog!
Interessante é perceber que é uma queixa tanto dos homens quanto das mulheres... Eu custo um pouco a entender a angústia em "achar alguém" e acredito que tem muita gente legal por aí esperando encontrar alguém tão legal quanto! Não acredito em metade da laranja nem tampa de panela... Acredito que somos inteiros e o outro vem "somar" à minha vida... vem ao encontro do que busco do que acredito... minha plenitude não está no outro e sim em mim mesmo em primeiro lugar!!! Então, minha dica: antes de procurar pelo outro primeiro procure se encontrar ok?! Pelo menos pense a respeito!
Segue então a lista de "critérios" que achei bem interessante... Avalie, analise, não só o outro que você busca mas as suas características, disponibilidades... boa sorte!!!
21 sinais de que ELA é uma pessoa legal para namorar:
No relacionamento:
1. Perceba se rolou uma conexão desde o início. Essas coisas são difíceis de explicar, mas muitas vezes é a nossa intuição nos dizendo para seguir em frente.
2. Atração é importante. Isso não significa que ela precise necessariamente ser bonita aos olhos da maioria, mas ela precisa te atrair de alguma forma – pelo jeito, pela atitude, pelas ideias, etc.
3. Perceba se ela é cheia de frescuras. Namorar com alguém que é muito fresca é garantia de um relacionamento com a metade da diversão. Pode sobrar para você ter que fazer companhia para ela na areia, quando ela não quiser molhar o cabelo no mar por causa da escova.
4. Ela precisa ter amigos. Esse é um indicativo que ela é capaz de conservar amizades e que não vai depositar todas as expectativas da vida dela em você.
5. Não conseguir controlar ciúme é coisa de gente egoísta. Se ao tocar no assunto, ela usar o argumento: “Sou ciumenta mesmo, esse é meu jeito e não mudo” cuidado – alguém que admite um defeito e que não faz nada para mudá-lo é alguém que não busca evoluir na vida.
6. Descubra quais são os objetivos dela na vida. Não importa quais sejam eles, o importante mesmo é estar em busca de algo, sempre. Nesse quesito, mais uma vez, se ela demonstrar que não faz ideia de onde quer chegar, pode ser um sinal de que ela vai querer viver a sua vida, já que não tem vida própria.
7. Perceba se ela demonstra traços de ser controladora. Uma das maiores reclamações masculinas em relacionamentos longos é que algumas mulheres acabam se tornando mães em vez de namoradas.
8. Ela precisa te encantar todos os dias. Se re-apaixonar pela mesma pessoas todos os dias é um dos grandes desafios da vida. E é o que faz os relacionamentos valerem a pena.
9. Perceba como ela lida com dinheiro – e quem controla quem nessa relação.
10. Descubra se ela é parceira. Esse é um tipo de coisa que se torna mais fácil de se perceber com o tempo mas, no início, já é possível identificar alguns sinais. Estar junto nas horas boas é a coisa mais fácil da vida.
11. Perceba como ela se comporta ao ficar sozinha. Pessoas que têm dificuldade em serem felizes sozinhas buscam sempre no outro uma metade para completar o vazio interno. Um relacionamento precisa ser feito de dois inteiros e não de duas metades.
12. Perceba se ela sabe ouvir ou se fica o tempo todo esperando a sua vez de falar. Quem fala demais, aprende de menos.
13. Observe se ela tem atitude ou se ela vive conforme os padrões estabelecidos pelos outros. Uma pessoa sem atitude é só mais uma no meio da multidão.
14. Descubra se ela gosta de animais. Quem gosta de bichos tem uma sensibilidade extra para perceber e reconhecer diferentes formas de amar.
No Sexo:
15. Observe menos a celulite e mais a sua sensualidade. Perceba se ela usa outros artifícios para te seduzir em vez de um decote e de uma bunda malhada.
16. Perceba se ela tem problemas em conversar sobre sexo. Um casal que não conversa sobre o que quer na cama, não evolui no sexo. É por isso que vemos casais se queixando o tempo todo das transas quinzenais.
17. Descubra o quanto ela está disposta a se esforçar para fazer as suas vontades e, claro, retribua sempre. Tem gente que ainda não percebeu que dar prazer para o outro é um esforço constante. Ninguém disse que seria fácil, mas as recompensas chegam na sequência.
18. Desconfie se ela usar micro saias mas pedir para apagar a luz na hora do sexo.
19. Descubra se ela manda bem no sexo oral – ou se pelo menos está disposta a aprender. Sexo oral é um presente dado a outra pessoa e seria um desperdício namorar uma mulher que não seja generosa nesse quesito.
20. Perceba se ela tem nojinhos. Sexo é uma total troca de fluídos e nojo atrapalha e limita completamente o processo.
21. Perceba se ela tem atitude no sexo ou se fica esperando que você faça tudo. Não há nada mais broxante do que transar com uma mulher múmia na cama.
23 sinais de que ELE é um cara pra namorar:
1. A conversa precisa fluir desde o início. Se vocês se acham igualmente interessantes, dificilmente vai faltar assunto. Se ele fala demais ou pouco demais sobre ele mesmo, não é um bom sinal.2. Ele precisa ser gentil. Não avalie esse item se baseando em fatores clichês do tipo se ele abre ou não a porta do carro pra você. Isso é fácil de forjar. Gentileza deve ser sentida nas coisas mais simples e cotidianas.
3- Atração é um fator essencial. Isso não significa que a pessoa tem que ser bonita, mas significa que ela tem que ser atraente pra você.
4- Perceba se ele é honesto. Atitudes pequenas, podem revelar traços do caráter dele. Perceba se ele é sempre quer dar um jeitinho de enrolar as pessoas ou se ele faz questão de ser justo na maioria das vezes.
5- Ele precisa te pegar com vontade. Se ele realmente se importa, você consegue perceber de cara se baseando no tamanho do sorriso que ele abre quando te vê ou na intensidade dos abraços que ele te dá.
6- Ele precisa ter objetivos na vida. Não importa quais sejam – ele precisa ter um foco e estar fazendo seu melhor pra chegar lá.
7- Vocês precisam ter interesses em comum. É claro que diferenças sempre acresentam conhecimento nas nossas vidas mas, interesses muitos opostos do tipo ele curtir ir pra micareta e você curtir ouvir jazz e tomar um bom vinho, cedo ou tarde começam a pesar.
8- Ele precisa te encantar todos os dias. Não importa quanto tempo um casal esteja junto, é preciso que você o olhe e frequentemente encontre coisas que a deixe apaixonada. Relacionamento sem paixão tem poucas chances de ser um relacionamento feliz.
9- Ele precisa ser parceiro. Tem que mostrar que se importa mesmo nas horas mais difíceis – só assim você pode garantir um relacionamento com igualdade.
10 – Ele precisa ser um homem de palavra. Não importa qual sentimento esteja nutrindo por você, um homem precisa saber cumprir sua palavra. Se ele fala uma coisa e age de outra forma, pode ser um sinal que você esteja lidando com um moleque.
11- Ele precisa ser interessante pra você. Relação sem admiração não existe. Se logo no começo a admiração é pouca, ela tende a diminuir com o passar do tempo.
12 – Perceba se ele é fútil – se quer sempre o melhor carro, ir sempre nas baladas mais caras, comprar só roupas de marca, ou, pior – se ele acha que dinheiro pode comprar pessoas. Alguém que vale a pena precisa saber reconhecer que há outras coisas importantes na vida além do dinheiro.
13- Ele precisa ter amigos e respeitar suas amizades. Se tudo der errado no final, são os amigos que vão estar lá pra segurar sua mão.
14- Ele precisa conseguir administrar o ciúme. Alguém que não consegue admitir o fato que é impossível perder algo que não possui, provavelmente vai acabar se tornando uma pessoa chata e paranóica.
No Sexo:
15 – Perceba se ele transa com você com vontade de verdade ou como se apenas estivesse dando só mais uma metidinha.
16- Antes de gozar, ele precisa te fazer gozar. Seja com oral, com masturbação ou com penetração, ele não pode querer terminar o sexo se só ele chegou no orgasmo. Se ele não aguentou segurar e gozou antes, precisa dar um jeito de terminar o serviço de outras formas.
17- Ele precisa mandar bem no sexo oral. Certo, ninguém nasce sabendo. Cabe a você dizer como gosta e a ele se esforçar sempre pra conseguir te dar o máximo de prazer – principalmente no sexo oral, que é um presente que só o outro pode te oferecer.
18- Ele não pode levar sexo tão a sério. Não importa qual a tara de vocês, ele precisa se demonstrar aberto à descobertas e experimentações, invés de fazer cara feia se você dizer que sempre teve tesão em transar na praia vestida de salva-vidas. Só através de experiências, o sexo evolui invés de enjoar com o tempo.
19- Ele precisa saber se é a hora de te pegar com força ou de fazer sexo amorzinho – isso faz uma diferença enorme no resultado final.
20 – Depois de um sexo com muita pegada e safadezas, conta muitos pontos se ele te trouxer junto ao peito e fizer cafuné até você dormir.
21 – Ele precisa estar aberto pra conversar sobre sexo. Se ele fica sem graça e foge do assunto cada vez que você começa a falar sobre algo relacionado ao tema, sinal que vocês dificilmente vão evoluir no sexo juntos.
22 – Ele precisa querer aprender. Tem muito homem que acha que sabe tudo e nunca se preocupa em querer melhorar – grande parte deles, ao contrário do que pensam, mandam muito mal no sexo.
23- Ele não pode ter nojinhos. É preciso entender que sexo implica em troca de fluídos e em colocarmos a boca e a mão em partes incomuns do corpo do outro. Sem entender isso, o sexo fica limitado.
( http://www.casalsemvergonha.com.br/)
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Sobre estar feliz...
Festas eu adoro, acho que tem uma função de "catarse" para uma semana corrida e estressante...
Amo música, adoro dançar e adoro meus poucos e bons amigos, parceiros de festas, de conversas de cafés, de viagnes... me fazem muito bem! Mas me faz muito bem também ficar sozinha, nunca tive problema com isso ( talvez por nunca ter ficado realmente sozinha, pode ser!)... Mas enfim, me faz muito bem também ficar em casa, escutar as "minhas"músicas, assistir aos "meus" canais favoritos, refletir, meditar... escutar o meu silêncio... é nele que me encontro!
Aí voltando a vida normal e medíocre em Blumenau (minha cidade cármica natal...) essas questões aparecem e reaparecem em emails, conversas, mensagens... O quanto as pessoas reclamam da vida que levam, o quanto invejam a grama do vizinho (que sempre parece mais verdinha...).
Eu não queria a vida de ninguém especificamente, mas muitas vezes me pego pensando se não estaria mais feliz se tivesse feito outras escolhas... até aí tudo normal certo?! Acredito que sim, se você conseguir perceber que tudo depende de você, do seu ponto de vista, de sua capacidade de flexibilizar um momento nao tão bom... e buscar algum tipo de mudança, algo ou alguma atitude que te faça mais feliz!
Eu já percebi que as pessoas reclamam quando chove, mas também reclamam quando o sol está muito quente... Acostumadas a reclamar, perdem o momento. A chuva pode ser ótima para lavar a alma como um banho de cachoeira... o sol pode ser ótimo para aquecer o coração, trazer luz ao seu dia!
Bom, adoro o amanhecer e acho que cada novo dia é um novo começo, uma nova possibilidade de "despertar"...
Então fica a dica: Faça você o seu dia, seja responsável por suas escolhas e decisões, acredite, confie, viva a sua vida e não a do outro...
Festa no outro apartamento
(Martha Medeiros)
Anos atrás a cantora Marina compôs com o irmão dela, o poeta Antônio Cícero, uma música que dizia: "eu espero/acontecimentos/só que quando anoitece/é festa no outro apartamento". Passei minha adolescência inteira com esta sensação: a de que algo muito animado estava acontecendo em algum lugar, porém eu não havia sido convidada.
Até aí, nada de novo. Não há um único ser humano que já não tenha se sentido deslocado e impedido de ser feliz como os outros são - ou aparentam ser. O problema está em como a gente reage a isso. A grande maioria que espera "acontecimentos" fica ligada demais na festa do vizinho, se perguntando: como fazer para ser percebido? A resposta deveria ser: percebendo-se a si mesmo. Mas é o contrário que acontece: a gente passa a se vestir como todo mundo, falar como todo mundo, pensar como todo mundo. Só então consegue passe livre: ok, agora você é um dos nossos, a casa é sua.
As festas em outros apartamentos são fruto da nossa imaginação tão infectada por falsos holofotes, falsos sorrisos e falsas notícias de jornal. As pessoas alardeiam muito suas vitórias, mas falam pouco das suas angústias, revelam pouco suas aflições, não dão bandeira das suas fraquezas, então fica parecendo que todos estão comemorando grandes paixões e fortunas, quando na verdade a festa lá fora não está tão animada assim.
É preciso amadurecer para descobrir que a grama do vizinho não é mais verde coisíssima nenhuma. Estamos todos no mesmo barco, com motivos pra dançar pela sala e também motivos pra se refugiar no escuro, alternadamente. Só que os motivos pra se refugiar no escuro não costumam ser revelados. Pra consumo externo, todos são belos, lúcidos, íntegros, perfeitos. "Nunca conheci quem tivesse levado porrada/todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo". Fernando Pessoa sacando que nada é o que parece ser.
Sua solidão, sua busca por paz interior, seus poucos e leais amigos, seus livros, suas músicas, fantasias, de desilusões e recomeços, tudo isso vale ser incluído na sua biografia, e pode ser mais divertido que uma balada em algum lugar distante. Pegar carona na alegria dos outros é preguiça, e quase sempre é furada. Quer festa? Promova-a dentro do seu apartamento.
Anos atrás a cantora Marina compôs com o irmão dela, o poeta Antônio Cícero, uma música que dizia: "eu espero/acontecimentos/só que quando anoitece/é festa no outro apartamento". Passei minha adolescência inteira com esta sensação: a de que algo muito animado estava acontecendo em algum lugar, porém eu não havia sido convidada.
Até aí, nada de novo. Não há um único ser humano que já não tenha se sentido deslocado e impedido de ser feliz como os outros são - ou aparentam ser. O problema está em como a gente reage a isso. A grande maioria que espera "acontecimentos" fica ligada demais na festa do vizinho, se perguntando: como fazer para ser percebido? A resposta deveria ser: percebendo-se a si mesmo. Mas é o contrário que acontece: a gente passa a se vestir como todo mundo, falar como todo mundo, pensar como todo mundo. Só então consegue passe livre: ok, agora você é um dos nossos, a casa é sua.
As festas em outros apartamentos são fruto da nossa imaginação tão infectada por falsos holofotes, falsos sorrisos e falsas notícias de jornal. As pessoas alardeiam muito suas vitórias, mas falam pouco das suas angústias, revelam pouco suas aflições, não dão bandeira das suas fraquezas, então fica parecendo que todos estão comemorando grandes paixões e fortunas, quando na verdade a festa lá fora não está tão animada assim.
É preciso amadurecer para descobrir que a grama do vizinho não é mais verde coisíssima nenhuma. Estamos todos no mesmo barco, com motivos pra dançar pela sala e também motivos pra se refugiar no escuro, alternadamente. Só que os motivos pra se refugiar no escuro não costumam ser revelados. Pra consumo externo, todos são belos, lúcidos, íntegros, perfeitos. "Nunca conheci quem tivesse levado porrada/todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo". Fernando Pessoa sacando que nada é o que parece ser.
Sua solidão, sua busca por paz interior, seus poucos e leais amigos, seus livros, suas músicas, fantasias, de desilusões e recomeços, tudo isso vale ser incluído na sua biografia, e pode ser mais divertido que uma balada em algum lugar distante. Pegar carona na alegria dos outros é preguiça, e quase sempre é furada. Quer festa? Promova-a dentro do seu apartamento.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Sobre um olhar melhor para o mundo...
Soneto de amor ao próximo:
Hoje eu olharei as pessoas simplesmente como pessoas
sem nenhum julgamento ou opinião
que me faça rotular quem são as más, quem são as boas,
e me leve a agir com base nessa tola conclusão.
Hoje eu olharei as pessoas simplesmente
como espelhos onde eu vejo refletidas
minhas fraquezas e virtudes de tal forma
que as minhas críticas e conselhos sirvam
antes para que eu próprio mude minhas atitudes.
Hoje eu olharei as pessoas com aceitação total
sem formalismos solenes ou distância social
sem condenar seus defeitos ou zombar de suas limitações;
mas respeitando seus direitos, crenças e aspirações
acolhendo o que cada um é, do jeito que cada um for ...
hoje eu olharei as pessoas simplesmente com amor.
Geraldo Eustáquio de Souza
(Fonte:Pensador.info)
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